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Patrimônio

Holding imobiliária não paga ITBI na integralização de imóveis: o que o STF decidiu no Tema 1.348

Não paga mais, e quem decidiu foi o STF. Em 19 de outubro de 2026, o Supremo Tribunal Federal fixou que a imunidade do ITBI na integralização de capital vale independentemente da atividade da empresa. Quem organiza o patrimônio da família em uma holding costumava levar um susto ao transferir os imóveis: a prefeitura cobrava o imposto, sob o argumento de que a holding tinha atividade imobiliária. Essa cobrança perdeu o fundamento.

A atividade imobiliária da holding deixou de ser motivo para cobrar ITBI na integralização de imóveis.

O que diz a Constituição sobre ITBI e capital social?

A norma do artigo 156, § 2º, I, da Constituição prevê que o ITBI não incide sobre a transmissão de bens incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica. Em seguida, ressalva os casos em que a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda, a locação de imóveis ou o arrendamento mercantil.

Os municípios sustentavam que essa ressalva valia também para a integralização de capital. Os contribuintes defendiam que ela se aplica apenas às operações de fusão, incorporação, cisão e extinção. Foi essa a controvérsia decidida no Tema 1.348.

O que o STF decidiu no Tema 1.348?

O caso é o RE 1.495.108, com repercussão geral reconhecida e relatoria do ministro Edson Fachin. O julgamento foi concluído no Plenário Virtual em 19 de outubro de 2026. Acompanharam o relator os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Ficaram vencidos os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino, para quem a ressalva também alcançava a integralização de capital.

A tese fixada foi a seguinte:

"A imunidade tributária do ITBI, prevista no art. 156, § 2º, I, na realização do capital social mediante integralização de bens e valores, é incondicionada e, portanto, indiferente a atividade preponderantemente imobiliária, ressalvada eventual prática de simulação ou fraude à lei com o objetivo de usufruir indevidamente da imunidade tributária em questão."

É dizer: a restrição ligada à atividade imobiliária vale apenas para fusão, incorporação, cisão e extinção de empresas. Os artigos 36 e 37 do CTN, que condicionavam a imunidade à análise das receitas da empresa, não foram recepcionados pela Constituição nessa parte.

Quais os requisitos para ter direito à imunidade?

A tese é favorável, mas não dispensa cuidado. Tudo bem até aqui? Então vamos aos requisitos.

Transferência para integralizar capital social

O imóvel deve ser incorporado ao patrimônio da empresa como pagamento do capital subscrito pelo sócio, com previsão no contrato social ou na alteração contratual registrada. Transferências a outro título, como compra e venda, não são alcançadas pela imunidade.

Limite ao valor destinado ao capital

Pelo Tema 796, a imunidade alcança apenas o valor do imóvel efetivamente destinado ao capital social. O que exceder esse montante, por exemplo quando parte do valor vai para reserva de capital, pode ser tributado. Fique atento também à diferença entre o valor declarado no imposto de renda, que a lei permite usar na integralização (norma do artigo 23 da Lei nº 9.249/1995), e o valor venal: muitos municípios cobram ITBI sobre essa diferença, e a jurisprudência ainda não é uniforme.

Operação real, sem simulação ou fraude

A própria tese ressalva a simulação e a fraude à lei. O município pode, com provas e análise do caso concreto, afastar a imunidade quando a integralização for apenas aparente, sem propósito real, e servir somente para evitar o imposto (norma do artigo 149, VII, do CTN). A holding precisa existir de fato, com organização e finalidade compatíveis com o planejamento.

Fusão, incorporação, cisão e extinção seguem outra regra

Nessas operações, a ressalva constitucional continua valendo. Se a empresa que recebe os bens tiver atividade preponderantemente imobiliária, o ITBI pode ser cobrado.

O que muda para a holding patrimonial?

A família que integraliza imóveis ao capital de uma holding não precisa pagar ITBI nessa etapa, ainda que a empresa tenha como atividade principal a locação ou a venda desses bens. Em uma estrutura com vários imóveis, a economia pode ser expressiva. Com a tese, a análise das receitas futuras da empresa perde relevância, e o reconhecimento da imunidade passa a depender, essencialmente, dos documentos societários da operação.

Quem já pagou ITBI pode recuperar o valor?

Em tese, sim, em até cinco anos contados de cada pagamento (norma do artigo 168, I, do CTN). O ponto de atenção é a modulação: depois da publicação do acórdão, os municípios podem opor embargos de declaração e pedir que a decisão valha apenas a partir de determinada data. Em julgamentos tributários, o STF costuma preservar o direito de quem já tinha ação ou pedido em curso até o marco escolhido. Explicamos esse risco em detalhe no artigo Sua holding pagou ITBI? Esse dinheiro pode voltar.

Sua holding pagou ITBI ao receber os imóveis?

Envie as guias para uma análise. Com o Tema 1.348, pode haver possibilidade de restituição.

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Nossa compreensão

Na nossa visão, quem integralizou imóveis nos últimos cinco anos e pagou o imposto deve reunir as guias e avaliar o caso desde já, sem esperar os embargos. E quem vai constituir a holding agora deve estruturar a operação com os documentos societários corretos, porque é neles que a imunidade se sustenta.

Perguntas frequentes

O que é a imunidade do ITBI na integralização de capital?

É a regra do art. 156, § 2º, I, da Constituição que impede o município de cobrar ITBI quando o sócio transfere um imóvel para a empresa como forma de pagar a sua participação no capital social.

O STF já decidiu o Tema 1.348?

Sim. Em 19 de outubro de 2026, o Plenário do STF concluiu o julgamento do RE 1.495.108 e fixou a tese de que a imunidade é incondicionada, sem importar se a atividade da empresa é preponderantemente imobiliária, ressalvados os casos de simulação ou fraude.

Quais os requisitos para ter direito à imunidade?

O imóvel deve ser transferido para integralizar capital social subscrito, a imunidade vale apenas até o valor destinado ao capital, a operação deve ser real, sem simulação ou fraude, e a regra não alcança fusão, incorporação, cisão ou extinção de empresa com atividade imobiliária preponderante.

Quem já pagou ITBI ao formar uma holding pode recuperar o valor?

Em tese, sim, em até cinco anos contados de cada pagamento (CTN, art. 168, I). O STF ainda pode limitar os efeitos da decisão no tempo, o que depende da publicação do acórdão e de eventuais embargos de declaração, por isso convém agir antes desse marco.

Conclusão

Retomando ao título: holding imobiliária não paga ITBI na integralização de imóveis, e o Tema 1.348 encerrou uma das cobranças mais questionadas no planejamento patrimonial. A imunidade, porém, depende de uma operação bem estruturada: integralização formal, valores compatíveis com o capital e propósito real. É essa a lógica do Método Patrimônio Protegido®: estruturar a holding com segurança jurídica e sem pagar tributo que não é devido.

Quer saber se a sua holding pode ter direito à restituição do ITBI?

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Fonte: Constituição Federal, art. 156, § 2º, I; CTN, arts. 36, 37, 149, VII, e 168, I; Lei nº 9.249/1995, art. 23; STF, RE 1.495.108 (Tema 1.348) e Tema 796; Conjur, 21/10/2026; Migalhas.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a análise de um caso concreto. Atualizado em 23 de outubro de 2026, após a conclusão do julgamento.

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